De repente, surge aquela vontade de falar das lembranças: palavras sem eco, perdidas no tempo, mas fatos arraigados no coração. Dali se via tudo, ou quase tudo... O entra e sai do Banco Mercantil, na Benedito Valadares, o martelo do sapateiro batendo pregos nas meias-solas dos sapatos velhos e gastos... a música Estrela D'Alva, que o sapateiro cantava e tocava em seu violão nos intervalos do serviço. Também, ao lado da sapataria, o alfaiate, cortando panos ou costurando em sua máquina. Do outro lado, o canto repetido dos alunos da dona Almira Hostalacio, decorando a tabuada. Ela, impaciente com as respostas erradas, ficava sem entender as certas, que soavam um pouco longe de sua escola, montada em seu quintal. As laranjeiras anãs do tio Dorcelino, vistas à distância, e o João de Melo, cochilando na cadeira de sua loja, eram parte constante do cenário dos nossos arredores. O espaço foi se tornando pequeno, e aquela árvore gigantesca — talvez a maior da cidade — com seu tronco gemi...
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